Month: Junho 2015

Entrevista #1

Iniciamos o espaço de entrevistas com o realizador André Marques.
Conhecemo-nos em Bucareste aquando da apresentação da sua última obra – Luminita.
André Marques nasceu em Setúbal em 1984 e graduou-se na Escola Superior de Teatro e Cinema (turma de 2006).

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Como se iniciou o teu percurso no cinema? Quando soubeste que era isto que querias fazer?
Até aos 14 ou 15 anos achava que ia ser biólogo ou semelhante, era um ávido espectador da BBC Vida Selvagem que via aos fins-de-semana. Foi assim que comecei a treinar o lado voyeurista, penso eu. Com a idade comecei a avançar para um cinema mais reflectivo da sociedade e das pessoas, aproximando-me tanto do cinema de autor como do cinema comercial “bom”, se assim se pode chamar. Nessa altura acordava a pensar em filmes e via dois ou três por dia. Trabalhar ideias, escrever, não sentia que fosse um trabalho mas algo que me saía naturalmente.

O que te influência enquanto autor?
A experimentação e a procura de pontos de vista, fomentando o diálogo entre a razão e o sentimento.

De que falam as tuas obras?
Todos os meus filmes falam de coisas diferentes, já fiz dramas sociais, familiares, pseudo-road movies, pseudo-comédia, mas a talvez a constante luta pela adaptação seja uma temática comum a todos.

Qual a tua relação com a Roménia e como vieste “cá” parar?
Em 2008 estava a viver na Roménia num sítio próximo de onde acabámos por filmar. Na altura desenvolvi a primeira versão do argumento e passei os cinco anos seguintes a reescrever e a concorrer ao subsídio do ICA, que ganhei em 2011, o que só soube em 2012 (estavam a acontecer os atrasos e consequente encerramento do instituto de cinema). Em 2013 fui para a Roménia, estive lá durante cinco, seis meses, e voltei para Portugal terminar a produção de som. Isto antes de estrear em Vila do Conde.

Qual o momento (mais) alto da tua carreira?
Os últimos dois anos têm sido muito trabalhosos mas bons, consegui filmar bastante e ganhar 11 prémios, que vale o que vale, e produzir vários projectos distintos entre si onde pude desenvolver várias ideias, diferentes linguagens. Não consigo avaliar um ou outro momento de felicidade ou de realização pessoal como singularidades, percebo melhor a ideia de continuidade e desenvolvimento de ideias, enquanto cresço e aprendo novas coisas, como simbólico.

Que projetos tens para o futuro?
Estou a terminar uma nova curta de ficção chamada “Yulya” (https://www.facebook.com/yulyafilm), que é uma espécie de prequela do “O Bêbado”, projecto de longa-metragem que espero começar em breve.


+ INFO www.andremarques.co.uk

Entrevista Pedro Milheiro
Ilustração Miguel Brito